NÃO QUER DIZER NÃO! ASSÉDIO É CRIME!

O Brasil tem em sua história a adesão de práticas culturais importadas dos exploradores coloniais e dos explorados que foram trazidos à colônia. O carnaval, que se tornou parte inseparável da cultura popular de nosso país é um exemplo desses costumes incorporados pelo povo. Mas precisamos criticar a culpabilização da vítima que é naturalizada no imaginário social dominante.

No país onde, escancarando o machismo em palavras, mais de 50% da população afirmou que se uma mulher usa roupa curta ela corrobora com o abuso que sofre, homens se fantasiam de mulher e pulam carnaval.

Vemos na mídia inúmeras propagandas comentando sobre a importância do uso da camisinha nas relações sexuais, de uma forma que não o fazem no resto do ano. Assim como ouvimos o duplo sentido de sexualização desde as antigas marchinhas carnavalescas às músicas que vão para o hit do ano nessa mesma época. Músicas essas que, assim como a educação que recebemos e a publicidade da mídia burguesa, expressam a coisificação do corpo da mulher posto como propriedade.

Mesmo quando propagandas de entretenimento alertam contra o assédio, percebemos que nos discursos enfatizam o “não toque meu corpo” como responsabilidade caída sobre a mulher e raramente o respeito que devem receber. É preciso esperar que um homem avance para que nós tentemos pará-lo dizendo “não”, como se não soubessem os limites do certo e do errado?

Não pretendemos pôr o debate do assédio como um problema que deve ser de mudança apenas individual, pois entendemos que a libertação da mulher só se concretizará com uma transformação radical da sociedade. Entretanto, enfatizamos sim que lutar contra expressões do machismo, como o assédio no carnaval ou em qualquer época do ano, é necessário para a saúde mental e física das mulheres.

#CarnavalSemMachismo

Uma iniciativa do Partido Comunista Brasileiro (PCB Alagoas) e dos seus coletivos, Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro, Coletivo LGBT Comunista e União da Juventude Comunista

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