Esta mulher, líder indígena descendente do povo Pankaruru, nasceu em 1936, na cidade de Inhapi (AL). Historicamente, a etnia Pankaruru carrega resistência lutando contra o latifundiário e pelo direito a terra como propriedade coletiva dos indígenas. Relembramos que o Estado, através da jurisdição, segregou a população indígena ao fazer um extermínio inicialmente por meio da escravização, estupro das mulheres-até hoje utilizado como forma de desmoralização da aldeia-, da proibição das línguas de origem indígena, da destruição da cultura, crenças e religião, bem como da negação ao direito a Terra, autonomia, dignidade e cidadania.

Os Pankararu tem em sua história o costume de fazer viagens de lideranças de sua comunidade para a capital de Pernambuco ou do Rio de Janeiro. Essas viagens tem por escopo a luta pela busca de direitos, em resposta às políticas de expropriação territorial, que levou também à extensão oficial dos aldeamentos. Essas viagens passam a ser uma marca da luta indígena do período compreendido entre a metade do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Período coincidente ao inicio da regulamentação de leis que interferiram drasticamente na vida dos indígenas.

Um exemplo é a Lei de Terras (1850), conhecida por Lei nº 601, que foi a primeira a documentar a regularização da posse terras, da propriedade privada no Brasil após a Independência. Estabelecia que a única forma de acesso a terra seria pela compra, interditando diretamente quem não possuía bens. Assim, condenando principalmente a população mais pobre, negros e indígenas.

As mulheres indígenas, além de enfrentar o machismo e a violência de gênero ao serem violentadas e tidas caricatamente como selvagens atrasadas, se fazem presentes como lideranças em suas comunidades pelo reconhecimento da identidade e dos direitos do povo.

Iracema, assim como outras mulheres indígenas, tornou-se responsável pela preservação e transmissão da fé de cultura às novas gerações de sua aldeia. Sofreu inúmeras perseguições políticas ao lutar pelo Direito à Terra, à educação, saúde e contras as inúmeras negligências do Estado brasileiro que se somam a quase cinco séculos.

Salve a companheira!

 

Fontes:

 

ARRUTTI, J. M. Pankararu. Povos Indígenas no Brasil, 2014.

 

ROSA E SILVA, E. Q.; BOMFIM, E. A. (Org). Dicionário Mulheres de Alagoas ontem e hoje. Maceió: Edufal, 2007.

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