Nascida em São Miguel dos Campos (AL) em 1924, provinda de uma família humilde de trabalhadores rurais, Josefa- assim como muitas meninas pobres das primeiras décadas do século XX- precisou ajudar no sustento do lar trabalhando como empregada doméstica ainda em sua infância. Na juventude casou-se com o agricultor José Pureza da Silva, e mudou-se para o Rio de Janeiro em busca de melhores condições de vida. Lá, ela passou a trabalhar como costureira em uma fábrica, que em alguns anos faliu. Essa circunstância a levou a trabalhar na roça, assim como o marido. Até então, ambos já ocupavam terras abandonas em uma área rural da cidade. E com o decorrer do tempo, passaram a se engajar ativamente em lutas comunitárias pela posse das terras, o que decorreu na militância de ambos nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Na década de 1950, Josefa passou a militar nas Ligas Femininas, sob a orientação do partidão, engajada na Luta Contra a Carestia e na campanha “O Petróleo é Nosso”. Participou ativamente de congressos nacionais e internacionais, sendo escolhida para representar as trabalhadoras rurais brasileiras no Congresso Mundial das Mulheres Trabalhadoras na Hungria, visitando a União Soviética. Em 1958, esteve integrada entre as fundadoras de associações de mulheres no campo para reivindicar a posse da terra e defender os maridos que se encontravam encarcerados como presos políticos.

 

Após o Golpe Militar, Josefa e José Pureza foram vítimas de perseguição política. Ela foi presa, permanecendo em cárcere por pouco tempo, e Pureza conseguiu fugir. Os dois decidiram então retornar ao estado de Alagoas, onde permaneceram por três anos. Ela voltou a trabalhar como costureira, e ele agora como pescador. Posteriormente se mudaram para Recife, onde foram presos sob a acusação de tentarem reorganizar o PCB, em 1973. Após serem libertados do cárcere, voltaram para o Rio de Janeiro para viver em Pendotiba, onde reiniciaram seu trabalho político, novamente em movimento de luta pela terra, agora com a Federação dos Trabalhadores na Agricultura e com os sindicatos rurais da Região dos Lagos fluminense. Josefa prosseguiu sua militância sindical e em associações de moradores até sua morte, em 1999.

 

Uma alagoana raramente lembrada na história, líder camponesa e comunista por toda uma vida. Camarada Josefa, presente!

 

Fonte: Schumaher, S. Gogó de Emas: a participação das mulheres na história do Estado do Alagoas. Rio de Janeiro : REDEH, 2004.

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