Nascida no ano de 1926 em Passo de Camaragibe (AL), de onde saiu aos 11 anos de idade, indo morar em Maceió.  Na capital, estudou no Instituto de Educação, em um colégio administrado por freiras que impunham rigor e disciplina as estudantes internas. Tornou-se professora ao concluir o curso de magistério. Entretanto, Odete não seguiu a carreira docente. Escreveu a crônica “Pai João” para a Revista Mocidade, o referido teto tratava sobre o africano forte e destemido, que era trazido para o Brasil nos porões dos navios negreiros. Além dessa crônica, Odete escreveu e publicou outras como ‘’Desperta, Brasil’’- retratando a miséria, o racismo, a desvantagem de classe e a negligencia do Estado, que atingiam o povo.

 

Aos 20 anos, apesar dos vários tabus que dificultavam a participação feminina nos meios de comunicação, conseguiu uma vaga como locutora da recém-criada emissora, sendo uma das fundadoras da Rádio Difusora de Alagoas. Trabalhou como locutora de rádio, em programas de auditório e radionovelas, enfrentando constantemente preconceitos enraizados. Foi uma pioneira na radiofonia alagoana, contribuindo para que outras mulheres a vissem como um modelo de encorajamento a ser seguido, a trabalhar e lutar por seus objetivos. Passou a fazer programas de auditório no final dos anos 1940, tornando-se um sucesso de audiência, apesar da época e dos resquícios do machismo e coronelismo do estado restringir a presença feminina em espaços tão públicos como emissoras de televisão e radiodifusão, onde o trabalho era eminentemente masculino.

 

No inicio dos anos 1950, sofreu perseguição devido aos seus posicionamentos políticos, foi tida como comunista, mesmo sem ter tido ligação direta de militância com o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Por isso, mudou-se para Pernambuco, onde permaneceu por alguns anos, mas logo retornou ao solo alagoano.

 

Sua vida está marcada por lutas e conquistas, sendo a primeira mulher em Alagoas a ir ao estádio para fazer uma cobertura jornalística de uma partida de futebol. Torcedora assídua do Clube de Regatas Brasil (CRB), participava e instigava discussões sobre seu time.

 

Odete faleceu em 12 de outubro de 1971, tendo seu corpo velado no saguão principal da Rádio Difusora, naquela época localizada na Praça dos Martírios e enterrada em sua cidade natal.

 

Salve a companheira que, como muitas mulheres alagoanas, ocuparam espaços que não foram feitos para si.

 

Fonte:

 

ROSA E SILVA, E. Q.; BOMFIM, E. A. (Org). Dicionário Mulheres de Alagoas ontem e hoje. Maceió: Edufal, 2007.

 

RIBEIRO, J. W.; FERRO, R. J. O. Odete Pacheco, a desbravadora do rádio alagoano. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXIX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. São Paulo, 2016.

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