Nascida em Limoeiro (AL), em uma família de minifundiários arraigados de extremo conservadorismo onde a moral, a disciplina e o patriarcalismo foram base para criação dos filhos, Zuleide viveu em Alagoas até o final da infância. Foi para o Rio de Janeiro quando tinha por volta de 11 anos de idade; cursou o antigo ginásio e o secundário no colégio Dois de Dezembro, escola tradicional do estado. Aos 20 anos, casa-se e tem duas filhas.

 

Trabalhou como tradutora na Editora Civilização Brasileira, em 1965. No mesmo ano, entra para as fileiras do Partido Comunista Brasileiro. Entretanto, sua militância começa alguns meses antes, logo após o golpe de 1964. Ao lutar pela libertação de um primo de Alagoas, Jurandir Bóia, à época diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE), abrigou em sua casa alguns militantes perseguidos pela ditadura militar, dentre eles membros das Ligas Camponesas e quadros comunistas como Jayme Miranda.

 

Nos anos 1970, integrou a assessoria do Comitê Central (CC), assumindo a tarefa por datilografar e imprimir textos e jornais do Partido, como o ‘’Voz Operária’’. Em 1974, com José Sales e Marly Vianna, também membros do CC, foi a São Paulo para trazer para o Rio todo o acervo de Astrojildo Pereira. Em 1977, a documentação foi para a Itália e compôs o Arquivo de Roberto Morena, o Archivio Sociale Della Memoria Operaria Brasiliana, que garantiu a preservação de mais de três décadas de memórias das lutas dos trabalhadores brasileiros.

 

Em 1978, Zuleide integrou o Centro Brasil Democrático (CEBRADE) entidade criada por Oscar Niemeyer para aprofundar a luta contra a ditadura. Em 1979, um ano e meio após ter concluído o curso de Ciências Sociais- disciplina proibida no regime Ditatorial- entra como professora da UFRJ, com a abertura de uma vaga no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais. Na década de 1980, atuou na favela do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, organizando mobilizações pela construção de creche e pelo direito à energia elétrica e à água encanada.

 

Zuleide dedicou-se à causa Internacionalista, ocupando cargos no Instituto Cultural Brasil- União Soviética no Conselho Brasileiro de Defesa da Paz (CONDEPAZ), criado para combater o acirramento da Guerra Fria e da corrida armamentista provocado pelo imperialismo, e na Associação Cultural José Marti, de solidariedade a Cuba, da qual participa como presidente. Entrou como membro do CC do PCB em 1987, no VIII Congresso. Fez parte do Movimento em Defesa do Partido, em 1992, cedendo sua casa para reunir o comando central da resistência à tentativa de liquidar o Partidão (PCB). No processo de Reconstrução Revolucionária, dividiu os trabalhos de direção nacional com Ivan Pinheiro, ocupando a Secretaria Geral, em sucessão ao camarada Horácio Macedo, até o ano de 2008.

 

Aos 81 anos de idade, Zuleide ainda se mantém firme dedicando a sua vida a militância comunista.

 

Saudações classistas à camarada!

 

 

Fontes:

Novos Temas. Zuleide Faria de Melo: militante comunista de toda uma vida. Fundação Dinarco Reis. Disponível em: < https://pcb.org.br/fdr/index.php?option=com_content&view=article&id=615:zuleide-faria-de-melo-militante-comunista-de-toda-uma-vida&catid=5:entrevistas-com-a-historia> Acesso em: 22 de set. 2017.

 

Jornal O Poder Popular. Edição 04, Julho-Agosto de 2015, Ano 01. Adaptado por Daniel Cristiano, Ipatinga-MG. Disponível em: < https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=748933281900866&id=201559913304875> Acesso em: 22 de set. 2017.

 

 

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