O Ceará, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, (Pnad) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2018, é o terceiro Estado no ranking da desigualdade no Nordeste e o sétimo no País. A capital do Estado acompanha esse quadro de desigualdade social, altos índices de violência urbana, que impactam diretamente na vida das mulheres, que compõem a maioria da população nos empregos precários, terceirizados, na fila do desemprego e em condição de pobreza.
Os índices de feminicídio são alarmantes, nos primeiros 29 dias deste ano, 43 mulheres foram mortas no Ceará, assim tem-se um aumento de 330% em relação ao mês de janeiro de 2017. Apesar disso, a Delegacia da Mulher em Fortaleza não possuía uma sede com endereço fixo, pois a Casa da Mulher Brasileira (CMB) que deveria abrigar esse órgão e demais da rede de proteção às mulheres em situação de violência foi inaugurada em julho de 2018, após intensas manifestações de organizações feministas locais. Incluindo a Ocupação da CMB, para denunciar o descaso dos governos Estadual e Municipal. Entre outras pautas, o movimento feminista tem como bandeira a construção do Plano Estadual de Políticas Públicas para as Mulheres. A capital do Estado ainda é fortemente atingida pela especulação imobiliária, que impede o acesso à casa própria, impõem altos valores de aluguéis e o aumento da população em situação de rua. Esse contexto de contradições encontra resistências dos movimentos sociais e populares, partidos políticos de esquerda, demais organizações dos/as trabalhadores/as em diversas frentes.
Diante desse contexto, no último final de semana de julho o Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro (CFCAM) consolidou sua fundação em Fortaleza – Ceará. As atividades referentes a essa consolidação contaram com a participação da Direção Nacional do CFCAM e do Partido Comunista Brasileiro (PCB), bem como de militantes d Unidade Classista (UC) e da União da Juventude Comunista (UJC ), a exemplo da camarada Raquel Lima, candidata a Co- Governadora do Ceará pelo PCB, em coligação com o PSOL.

No espaço houve apresentação sobre o feminismo classista discutindo as implicações e a importância do debate desta vertente para a construção do poder popular, debate das resoluções do CFCAM, bem como foi discutida as atribuições de funções para a coordenação local do Coletivo e de que forma se daria a inserção do mesmo entre as lutas das trabalhadoras em Fortaleza. Ocorreram ainda, duas outras atividades abertas: uma roda de conversa com o tema “O avanço do conservadorismo e a (des)criminalização do aborto”, na Universidade Estadual do Ceará (UECE), contando com a participação de profissionais e estudantes da Instituição, além de militantes da UJC; e uma oficina sobre a saúde das mulheres trabalhadoras, na Ocupação Gregório Bezerra (OGB).
O CFCAM em Fortaleza conta com trabalhadoras da assistência social, da educação, artistas e estudantes inseridas nas lutas sindicais, de suas categorias profissionais, pela universidade pública, por moradia e demais direitos da classe trabalhadora.

Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro – Ceará

Coordenação Nacional do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro

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